NOTÍCIAS - PORQUE NASCEM TANTOS MOTO CLUBES? |
Matéria publicada no Jornal MotoClube News n° 74 do mês de julho/2006.
Em minhas andanças por este Brasil, especialmente, por São Paulo e Rio de Janeiro, uma das reclamações mais constantes é a "aparição" de novos moto clubes. Mas por que será que são criados tantos moto clubes? O que leva um motociclista a querer ter um brasão nas costas e ser conhecido, ás vezes muito mais pela marca, do que pela pessoa dele? Bem, em minha humilde opinião, tenho comigo que o motoclubismo é algo relativamente novo para a grande maioria de motociclistas, hoje, filiados a um clube.
São mais de 3.000 clubes e mais de 7 milhões de motociclistas, em todo o Brasil. A facilidade em se fazer amizades desinteressadas de vínculos profissionais ou financeiros, a alegria de sempre poder encontrar os amigos nos mais de 1000 eventos anuais de final de semana, aliados ao fato de que, ainda, de quebra se pode ajudar muita gente através das ações filantrópicas que os moto clubes normalmente realizam, são fatores que despertam, nos novos motociclistas, interesse em pertencerem a um clube.
Além do mais, há o fato de que a grande maioria encontra-se próximas dos 40 anos de idade e busca, depois de anos de trabalho e organização de suas vidas, uma válvula se escape para a pressão social, familiar e profissional a que se submetem todos os dias. É certo, ainda, que alguns poucos, graças a Deus, têm objetivos diferentes destes, aos quais não merecem ser mencionados. Entretanto, o fato é que costumeiramente, se pode ver nos eventos e festas de motociclistas, homens e mulheres se divertindo e rindo como crianças.
É como se estas pessoas não tivessem problemas na vida! E quando digo "adultos se divertindo e rindo como crianças" não falo de suas atitudes, que são sempre de adultos, mas da forma como estas pessoas se despojam de suas formalidades, ás vezes até da primazia de sua educação, para poderem, simplesmente, rir. Quem vê isso de perto, admira e quer participar, afinal, quem não quer sentir-se feliz? Pois bem, nos últimos cinco anos, a indústria de motocicletas brasileira, sem contar as importações, oficiais ou não, vendeu no mercado interno brasileiro, o espantoso número de 5.326.000 motocicletas (fonte ABRACICLO).
Estima-se ainda, que destas, 35% foram parar nas mãos de quem nunca teve uma moto antes. Portanto, 1.861.000 novos motociclistas ingressaram no mundo das duas rodas e começaram a ter contato com os clubes e suas ações, nos últimos cinco anos e tiveram interesse por eles. Como para ingressar em um clube existem regras, muitas vezes severas, o pretendente resolveu da maneira mais simples dar asas á sua vaidade: Fundar o seu clube. O resultado, senhores, está aí. Muitos moto clubes com nomes ruins, sem apadrinhamento, sem história, sem ideal, sem norte ou filosofia.
São meras cópias equivocadas de outros clubes que também não têm nada, apenas uns pares de anos de existência, mas sem qualquer aprendizado. Gostaria muito de poder dizer qual seria o caminho para se resolver tal problema, mas não é tão fácil assim. No passado, não muito distante, numa iniciativa e parceria da Federação dos Moto Clubes de São Paulo e do Abutre's Moto Clube, com apoio e presença de representantes de mais de 50 moto clubes, se criou informalmente uma espécie de tribunal (Juízo Arbitral), onde os mais antigos motoclubistas de São Paulo eram convocados e lá se discutia conduta dos clubes e seus integrantes, até a criação de um novo clube e seu nome.
Lá, já se "passou a limpo" muita coisa e muitos problemas foram resolvidos, de maneira simples e democrática, já que todos os Presidentes tinham direito a voto. A imparcialidade da ação ficou por conta do interesse da FMC/SP, que decorre de seu próprio estatuto que visa o desenvolvimento, harmonia e legalização dos clubes e do Abutre's MC, que em razão do respeito que possui no meio, da sua história e da forma severa de conduzir suas atividades, demonstrou a clara intenção de fazer funcionar a idéia e tentar resolver o crescimento desenfreado de novos clubes, além dos problemas "domésticos", entre os clubes.
Embora tenha funcionado, a ação acabou sendo descontinuada não se sabe o porquê. Hoje, acredito, tenha chegado a hora de se voltar a ela, com mais apoio, ou mesmo buscar alternativas para o problema. Caso contrário, senhores, novos Amebas do Acostamento MC, Pakalolos MC e Queima Rosca do Asfalto MC, estarão surgindo e expondo os clubes sérios ao ridículo. Tá dito.
Por
Reinaldo de CARVALHO Bueno.
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